Wonderland and Quantum Phisycs

(De preferência, saiba do que estou falando antes de ler)

O País das Maravilhas, o Wonderland, fica logo abaixo de uma toca de coelho, cerca de uma eternidade em queda livre abaixo, numa árvore em algum campo inglês. E as chances são de que se você já esteve lá, de que você seja uma britânica do século XVIII, entre 5 e 14 anos. Esses são os dados estatísticos de todas as pessoas que foram lá: apenas uma.

Porque se chama de país das maravilhas ainda permanece um mistério, visto que não há nada de maravilhoso lá que não possa ser explicado por sociologia e física quântica.

Uma terra de monarquia periódica, onde se alterna entre partidos brancos e vermelhos, com revolucionários da oposição contra os vermelhos, onde o tempo não passa e o gato de Schrödinger se chama Cherish Cat, ou Risonho.

Não quero destruir nenhum sonho ou o vidro de ninguém (piada interna), mas após assistir a adaptação de Tim Burton, não pude deixar de notar como o Wonderland se parece tanto com o nosso mundo. É física teórica aplicada. É revolução social no sentido mais necessário da coisa. É a aplicação da relatividade especial.

Do começo. A toca.

Um buraco virtualmente infinito, onde todo tipo de objeto aparece e flutua e onde não necessariamente se acelera com gravitação. É um vórtice de singularidade, um lugar onde as dimensões se chocam em um ponto (e ponto é só para dar uma idéia de que singularidade não tem forma). Singularidade é o que explica os campos gravitacionais dos buracos negros e a contração do espaço nos wormholes universo afora.

São lugares tão estranhos que não se pode afirmar com exatidão o quê pode ou não acontecer por lá. Mas especula-se que as singularidades de wormholes são a menor distância entre dois pontos. Não como uma via expressa, em metáfora humana, mas literalmente como a contração total da reta que liga dois pontos.

Imagine que se tem uma folha de papel com uma reta transversal à largura da folha. Essa reta é a menor distância entre dois pontos, porém , você pode dobrar a folha de tal modo que os pontos se sobrepõem. Em termos cosmológicos, essa dobra é uma singularidade. A diferença é que a contração da reta faz com que tudo que existia ENTRE os dois pontos, exista agora NO ponto. e é assim que pianos voadores quase te acertam em uma queda pseudo-infinita.

“Tocas de coelho são também buracos de minhoca.”, lembre-se sempre.

Agora, se você tem uma porta pequena demais para passar, o quê fazer? Destrua a porta e a parede que a sustenta. OU, você pode simplesmente se adaptar à ela. Algumas verdades que a física quântica diz ser garantida. 1: A realidade está em constante alteração. Cada mínima mudança, percepção ou existência altera o rumo das coisas e cada rumo cria uma realidade própria. Em suma, existem infinitas verdades acontecendo ao mesmo tempo, mas só vemos uma. O quê nos leva à

2: A realidade é construída pela percepção de cada pessoa. Cada ser vivo cria a realidade em conjunto, mas cada ser percebe a realidade de maneira diferente. “Eu rejeito sua realidade e substituo pela minha.”-Adam Savage. Em resumo, a realidade só existe quando você olha para ela. (eu li isso em um livro, “Espaço, tempo e além”. Só consegui ler as primeiras páginas, mas parece ser muito bom).

Com esses axiomas, podemos dizer que basta olhar a porta quando ela estiver do tamanho apropriado para atravessá-la. Mas isso não é tarefa para meros mortais.  É preciso que uma força maior permita que você veja além da “realidade constante” da porta pequena. Isso pode ser facilmente representado por uma bebida refrescante, por que não? E sendo assim, vamos aceitar que a retórica é verdadeira, sendo representada por um bolo. Afinal, você está numa toca de coelho muito singular.

Vamos pular para o Schrödinger/Cherish Cat, que sinceramente, foi o que começou o post. Resumo da ópera:  um gato em uma caixa fechada com comida envenenada dentro está tanto vivo como morto até que se abra a caixa para descobrir a verdade. Esse é o paradoxo do gato morto-vivo que é amplamente usado como exercício mental da segunda afirmação do post.

Ela define que dada a impossibilidade de verificar o estado de uma coisa, mas sabendo que o estado pode ser tanto 1 como 0, para você, o estado é 1 e 0 ao mesmo tempo até que se verifique experimentalmente. Na metáfora, visualmente.

O Cherish Cat é a representação máxima dessa doidera. Ele tanto flutua como some em um instante, como quem pensa em pensar. Ele tanto pode ser ele mesmo como pode se travestir de você ou ao mesmo tempo estar ali e cá, basta você olhar. Ou não. A realidade dele são todas e nenhuma, depende de quem olha e de quem ele queira que veja. E ele gosta do seu chapéu.

O chapeleiro não gosta da rainha vermelha. É o mesmo motivo de todas as revoluções contra monarquias da história. Segue em frente.

É, doidera. Mas assim é no Wonderland e NoAéreo. Acredito que tenha mais conexões, mas até hoje não tive a chance de ler o livro de Lewis Carrol. Devem ter mais coisas lá.

Dias. Pedro

P.S.:Antes que eu me esqueça. A rainha vermelha só descobre que Alice é Alice por que um rato falou ( o quê é irônico, já que em inglês, rat é adjetivo de dedo-duro). Mas apesar de todas as aparências, somente o nome transforma ela nela mesma. Eu considero essa como uma representação menor da segunda afirmação.

P.S.2:Se você gostou da produção de Tim Burton, jogue American McGee’s Alice. Tem trama semelhante, Alice volta ao Wonderland após alguns anos, mas é mais tétrico. E é de 2000, então se você não curte gráficos antigos, não se dê ao trabalho de xingar o jogo.

P.S.3: E, no fim do filme Alice aparece no barco indo realizar o sonho de sue pai. Ela vira a fundadora da Companhia Oriental das Índias e em alguns anos ela irá capturar um pirata muito parecido com um certo chapeleiro.

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Comments
3 Responses to “Wonderland and Quantum Phisycs”
  1. Juno disse:

    Eu tinha uma idéia de que quando se aplica essa explicação real e lógica a o irreal tornaria a coisa chata e perderia a graça da coisa, mas até que ficou foda essa explicação e ainda mais curiosa (é claro, só se realmente tivesse um lugar assim para passar as férias… mas enfim, um dia quem sabe a tecnologia para diversão crie um parque como o mundo de Alice ^^)

  2. Ana Valéria disse:

    Pedro, por favor, leia o livro. O filme não tem absolutamente NADA a ver com o livro. Não somente é uma outra história, mas o contexto é completamente diferente. a única semelhança entre os livros e o filme são os nomes dos personagens e o absolutismo da Rainha de Copas.
    não tem luta de “nós” contra “eles” ou “bem” contra o “mal” nos livros (ainda que no Através do espelho tenha uma partida de xadrez). isso é coisa da Disney.
    beijinhos, Val.
    ps. o nome do gato é Cheshire Cat, na verdade.

    • Dias. Pedro disse:

      Sim, sim. Tenho certeza disso. Jamais discuti a história de Lewis Caroll.
      Comentarios loucos apenas sobre o filme, que aliás, se não fosse da disney, Tim Burton teria feito um trabalho melhor.

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