Terrivelmente simples

Isto seria uma crônica, ou venha a ser.

Como todos bem sabem e é muito bem divulgado, a vida na Terra é um acontecimento bizarro.
Eu poderia falar novamente sobre como o tamanho do planeta é propício, como a sua distância para a estrela é perfeita para água não ferver ou congelar, sobre como os cinturões de asteróides e de Kuiper seguram alguns fragmentos que entram em nosso sistema, como Júpiter com sua massa é capaz de segurar e rebater rochas do tamanho da Terra para longe de nós, assim como a Lua, de modo que os maiores meteoros que possam cair aqui, dificilmente vá nos aniquilar. Claro, a dança cósmica também é incrível o bastante para juntar os elementos químicos da maneira que o fez, fazendo com que a atmosfera aqui evoluísse de uma atmosfera tóxica para uma amena e habitável nos últimos milhões de anos.
Eu também adoraria falar sobre como, apesar de ser absolutamente banal, o incrível processo que cria sistemas solares a partir de partículas, desde nebulosas que criam milhares de estrelas, e como a gravidade de cada estrela junta mais poeira a sua volta e passa a formar centenas de planetas menores que Plutão que ao longo de outros milhões de anos foram colidindo e formando planetas maiores e maiores até eventualmente o sistema ter menos de uma dezena de planetas, de tamanhos, atmosferas e órbitas diferentes. E no mesmo sistema, no mesmo processo, as chances desses planetas eventualmente estabilizarem suas órbitas de maneira que quase não afetam uns aos outros gravitacionalmente, apenas um, dentro de todas as possibilidades nesse processo bilhonar, terminou com as condições propícias para estarmos aqui, nos ultimos milhares de anos. De verdade, nada demais. Isso acontece o tempo todo. Inclusive já se sabe de pelo menos uma pequena quantidade de planetas similares à Terra, que tem chances parecidas de seres como nós habitarmos eles.
Mas putaqueopariu, parem de destruir o planeta. Henry Ford só desistiu dos carros elétricos 100 anos atrás pois daria menos lucro. E apostou nos motores à combustão, que, queiram ou não, foi e é um grande responsável pela popularização do uso do petróleo. Petróleo esse, que existe somente pois a primeira leva de seres vivos teve quase 50% de seu total extinto por um meteoro realmente grande que não foi barrado.
O mundo de hoje não existiria com dinossauros vivos. Dificilmente eles teriam dado espaço para nossa espécie sobreviver e evoluir. Me parece bastante claro que o que temos como certo hoje e talvez um estágio natural da nossa evolução, não passa de uma terrível coincidência.
As condições certas tiveram que ocorrer para nosso planeta existir com suporte á vida. Um metero particularmente gigante teve que burlar as barreiras de segurança exterior do nosso sistema e ainda colidir com a Terra para dizimar boa parte da população que teria impedido a nossa existência. Sinto muito pai, mas acho que as bruxas não tiveram nada a ver com isso. E essa parcela morta é o que move nosso mundo, seus restos viraram combustivel. Combustível que nós utilizamos no nosso progresso científico exponencialmente acelerado. Em pouco mais de um século, progredimos mais que nos últimos 5000 anos. E poluímos e destruímos mais que em 5000 anos. Por outro lado, a compreensão que obtemos todos os dias nesse nosso progresso nos põe em um patamar de consciência absolutamente indescritível. Eu não posso falar pela humanidade sobre como nós compreendemos o mundo. As pessoas são diferentes. Putz, somos diferentes de nossos conterrâneos comtemporâneos, que dirá das diferenças culturais e temporais. Já foi senso comum que a Terra era chata e plana, e mesmo então, um homem pensou diferente. Claro, ele foi tachado de louco e condenado à morte, no que este rapidamente retirou sua declaração, não por medo, mas pois sabia que morrer naquele momento não valia tudo que ele deixaria de descobrir (suponho). A sociedade sempre foi intolerante, pois como já dizia Daniel, ninguém gosta de um espertinho. Por isso Sócrates também foi morto pela sociedade.
Isso nunca impediu os espertinhos de continuarem espertinhos. Mas se não entendemos nem conhecemos na plenitude apenas a história e tudo que envolve a humanidade, como querer entender as origens do Universo? Querer entender todo o processo criacional é mais simples do que para a maioria de nós compreender a infinitude da escala espacial, escala onde o nosso planeta, e na verdade, nosso sistema solar em si, não passa de um grande e imenso nada. Mas tudo bem, provavelmente é mais seguro para a sanidade das pessoas achar que seu prédio é grande e que a caminhada de sua casa até o shopping center seja demasiadamente longe. Afinal, eles não estão errados. Mas a escala espacial diz que entre uma galáxia e outra equivale a distância entre sua casa e o shopping. Da sua casa ao outro lado do mundo corresponde a uma outra galáxia distante até a primeira. Enfim, é bem deprimente pensar muito nisso, e talvez por isso não seja um assunto muito comum em bares.
E talvez por isso mesmo, com as pessoas deixando de pensar sobre o extraterrestre, elas deixem também de se preocupar em geral. Isso gera um desrespeito pelo lugar em que se vive, como se se achasse que é fácil limpar a casa ou se mudar, sei lá.
Me parece um processo demasiado longo para nós podermos aparecer aqui para que, exponencialmente rápido, nós estejamos tornando este planeta inabitável já em certos lugares.
Não sei, talvez seja só eu. Eu penso demais em escalas espaciais e ainda sim não consigo me preocupar o necessário com o que acontece com a Terra. Talvez, em outros tempos, eu também acreditasse em uma Terra plana. As autoridades no assunto me garantiriam isso.
Por outro lado, as autoridades hoje me dizem que em 5 bilhões de anos, nada do que fazemos ou deixemos de fazer fará qualquer diferença, quando o Sol terminar de consumir seu combustível e seu calor, mesmo decaído em energia, chegando ao limite vermelho do espectro de luz, ainda terá energia o bastante e irá se espandir em um raio de gases quentes que englobará eventualmente os 4 primeiros planetas desse sistema. Sim, isso inclui a Terra. E depois disso, o núcleo do sol se tornará uma anã branca, que será muito menor e menos energético e mais frio.
Com sorte, a essa altura já teremos ido colonizar um daqueles planetas parecidos com o nosso e não veremos isso. Provavelmente não veremos isso por um motivo ou outro. Mas não é motivo para jogar esgoto não tratado na minha praia, DESO. Não tente me matar antes do apropriado, já tem muita coisa acontecendo por aí afora.
Sabe, tem mesmo muito acontecendo. Aqui dentro e lá fora. E por quê não, em um planeta como o nosso, uma espécie não estaria pela primeira vez fazendo madeira pegar fogo? Afinal, é simples.

Dias. Pedro
Escrito em um Milestone.

P.S.: Para mais sobre a escala do universo, visite HTWINS.net. É um flash simples, mas que mostra com precisão as dimensões do universo sub e macro ao nosso redor.

Veja mais fotos em: GOOGLE/scale-of-the-universe

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