“Um conto sob uma Lua despedaçada” ou “O que aconteceu com o urso?”

~Baseado em fatos reais completamente imprecisos

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*Flick*
Eu sou um homem, e homens agem assim. Sem grandes preocupações, sem grandes expectativas , sem grandes apegos e ela sabia disso. Se não sabia no começo, certamente sabe agora. Ah, fazer o quê? “Tough luck”, como dizia aquele outro cara, aquele, você sabe, do nome engraçado. Mac-sei-lá-o-quê. Se ela me achou um fimbag, com certeza Mac é o tipo de sujeito que a faria chorar. É, você sabe do que eu estou falando. Mas e daí? Isso não é importante para a história. Todo esse incidente, aliás, só me deu dor de cabeça, com os irlandeses, a polícia e o urso. Fudge, dá raiva só de pensar, ainda bem que acabou. Sério mesmo.
Mas eu estou divagando, isso é história. “Ela”, é história.
*Click* *Pffffuh*

Os painéis de néon próximo ao bar piscavam nomes de bebidas na parede atrás de seu colega, e uma fumaça vermelha subiu. Amarela, vermelha, amarela.

– “Eu agradeço se você não fizer mais isso, amigo.”
– “O quê? Isso? Não seja irritante.”

O ventilador de teto apenas revolvia o fedor do lugar, relocando de um lado para outro do bar. Aquele cheiro característico dos bares daquela parte da cidade: uma mistura de álcool fermentando, maresia vinda do porto naval e o peculiar cheiro de desespero que se associa ao resto do local. Esse último era o único que realmente tornava o ambiente um tanto depressivo de se estar agora. Sentia falta das festas que um dia aconteceram ali.

– “É, com a fumaça na cara. Esse tipo de truque pode impressionar algumas de suas gurias, não a mim. Sopre esses anéis para outro lado, estamos falando de coisas sérias aqui. Coisas grandes, coisa complexa, amigo.”

“Que sotaque terrível”, pensou. Hernando não tinha nada de amigo. Até onde se lembrava, eram apenas conhecidos de outro conhecido em comum. Estava mais irritado hoje, e alguém ia acabar se dando mal com isso. E as apostas estavam no ‘chico’ com fones de ouvido pendurados no pescoço.

– “Em primeiro lugar, ‘amigo’, eu não tenho gurias. Eu sou um cara sério, de uma guria só. E segundo…”
– “Há há! Você, sério e fiel? Essa é nova.”
– “…e segundo”-com um leve tique no canto da boca-” essa sua história não tem nada de sério. Se você não estivesse pagando as bebidas, eu nem mesmo teria ouvido sua conversa.”
– “Bem, se EU não tivesse pagado apenas seu PRIMEIRO whisky, eu é quem não teria que ouvir sua história de amor perdido, ‘cowboy’.”

Ás vezes ele se levava pela história. Naquele bar tão vazio, contando sua história para um sujeito que nem ao menos ele considerava um amigo, o fedor do bar pareceu se intensificar naquele momento. Que roubada. Sentiu um leve ódio de si.

– “Olha, eu estou de folga, eu estou entediado, eu estou bêbado e ainda não estou feliz. E você me vem com esse papo conspiratório com o senado e outras mentiras… Que história absurda. A Lua, até parece. Eu achei que a gente ia falar de trabalho sério que me pagasse direito no final. Eu não vou ficar correndo atrás de um fantasma, essa história é furada.  Eu vou até o bar, vou pegar mais uma dose e o resto da garrafa e avisar o barman que você pretende fugir pela janela do banheiro em cinco minutos.”
– “Olha, eu tenho outro serviço pra você então, já que você é tão apegado ao cotidiano. É um trabalho simples, muito mais sem-graça. É só um caso de EI! Onde você vai?”
– “A gente se bate outra hora, Hernando. Obrigado pelas bebidas.”
– “He he. Seu maldito desgraçado, continua o mesmo, como da última vez em que te vi. Mas sério, volte ao seu lugar, eu não vou pagar mais nada para ti, então volte aqui e HEY! Não chegue perto desse bar, ‘amigo’. Não chegue perto d.. oh  fudge!”

Enquanto o ‘amigo’ corre para o banheiro, ele observa o bar. Ouve o barman avisando os cabras do bar para ir buscar o caloteiro que ta indo no banheiro, pega a garrafa de trás do balcão e decide que já era hora de sair dali. Aquele lugar estava começando a fazê-lo se sentir pior.
Os sons que vinham do banheiro ficavam para trás, enquanto ele se dirigia em direção à porta. Aquele bar estava morto, era hora de ir para algum lugar com mais… calor humano.
Na calçada, ao sentir o ar fresco da noite, um leve sorriso se esboçou naquela cara manchada pelas olheiras. Notou que era mais cedo do que ele imaginava, pois não havia nenhum sinal de que o Sol estivesse perto de raiar, e os bêbados inveterados ainda caminhavam meio sóbrios na rua. Que ironia.
As luzes do prédio ao lado diziam “Casa das gatas”, com a 3ª e 4ª letras ‘a’ falhando. Pensou em entrar, e mudou de idéia com a leve perpectiva de respirar o mesmo fedor do bar lá dentro também. Tacou a sua bituca apagada no chão.
Começou a caminhar um pouco, para clarear um pouco a visão do whisky. Incrível como mesmo a hora mais fria da cidade ainda o fazia sentir gotas de suor as vezes. No momento em que clareou um pouco a cabeça, lembrou de sua moto na frente do bar. Pensou em voltar, quando se lembrou, ainda outra vez, que não havia ido de moto. Havia sido incinerada, ou compactada. Dependia muito de qual moto e qual situação ocorreu por último. Mas estava a pé, então procurou algum taxista na noite. Alguns metros à frente ouviu os sons de alguém que acaba de fraquejar na bebida. Pessoas fracas, já imaginava algum adolescente rebelde, que achava que suco de limão era sinal de maturidade.
Finalmente encontrou um táxi mais à frente, mas não havia ninguém dentro ou perto do carro. Na janela de trás havia um adesivo onde lia-se: “Se beber, não dirija. Vá de taxi.”, e parecia que alguém havia passado mal do lado do carro há pouco tempo. Ia continuar a andar quando um homem saindo de dentro de um bar caminhou em sua direção e ao olhar para ele em pé do lado do carro, pareceu meio sem-graça e respondeu antes de qualquer pergunta.
– “Eu… eu fui procurar um, é, guardanapo.”
– “Por acaso você é o dono deste taxi?”
– “Ah sim, sou sim. Vamos, pode entrar.”

E seguiu para a noite.
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Ao longo do beco se ouvia os sons ofegantes de Hernando, ecoando e misturado de leve com os sons dos passos dos cabras do bar em seu encalço. As paredes baixas dos becos deixavam bastante luz lunar entrar, e Hernando se sentia exposto demais, precisava fugir das vistas. Não havia muito espaço nem cantos para se esconder. Correndo e visualizando a curva logo à frente, agradeceu por não ter exagerado nas bebidas, poucos minutos antes, e ao fazer a curva, rapidamente pulou para uma das paredes, chutando-a em seguida e alcançado a beirada do topo da casa de gato, que ficava ao lado do bar. Subindo rapidamente no teto, apanhou uma pedra e a atirou em direção a esquina que levava à rua, de modo que no instante em que os cabras fizeram a curva, ouviram um barulho vindo da rua, e seguiram perseguindo o suposto caloteiro que corria para a rua.

Observando do alto, Hernando respirou aliviado enquanto entreouvia os cabras discutindo para onde ele deveria ter ido. Deitou por um instante, com as luzes do letreiro do prédio piscando à sua frente, esperando um sinal de que a barra estivesse segura. Nem sentia o frio da noite com o êxtase da perseguição e a adrenalina da fuga, e nem se surpreendeu por não estar irritado com o professor. Na verdade, esse fora o momento mais divertido da noite, talvez da semana. Quase lamentou por ter sido tão breve e cogitou por um instante se deveria pular na frente dos cabras e extender um pouco mais a perseguição. Aquelas montanhas de carne presas em ossos eram a perfeita representação, para Hernando, entre dois tipos de força. Ele tendo agilidade o bastante para fugir e até mesmo levar a melhor em lutas com pessoas normais, e os cabras por outro lado, com a capacidade de tranformar seu fígado em purê, caso o alcançassem. Ele se divertia sim com a idéia. Mas desistiu dela, e preferiu não correr a chance de acordar no hospital. De novo.

Bem, então ele não conseguiu convencer o professor. Fazer o quê? “Tough luck”. Claramente ele não havia falado com ele em seu melhor momento. Ele sabia que o professor não havia recusado por dinheiro, pois ele e o professor eram parecidos nesse ponto pelo menos. Não entravam em coisas que não lhe interessavam. Afinal, qual seria a graça em fazer o que não lhe interessa?

Não havia muitos prédios próximos para seguir caminho por cima. Aquela parte da cidade era pequena, e as construções não eram tão densas como no centro e outros bairros comerciais. Na área do porto naval, só havia o mínimo para entreter os viajantes ocasionais que apareciam por lá. Procurou uma calha de chuva e escorregou por ela. Era velha e frágil, mas ele só precisava usá-la para desacelerar brevemente a queda, o resto ele tomava conta.
*Tap*
Limpou de leve um pouco de terra da calça e uma sujeira imaginária de cada ombro de sua camisa florida havaiana. O som de um carro se afastando era o som mais alto a se ouvir. Como ele ainda estava em pé e inteiro, isso confirmava o fato de que os cabras deviam ter voltado para dentro do bar.

Colocou seus fones de ouvido e começou a caminhar em direção à cidade, queria deixar a área do porto para trás e começou a pensar enquanto andava. Seria só ele ou alguém mais achava que aquela parte da cidade possuia um cheiro um tanto enjoativo? Quase deprimente. O cheiro de peixe não ajudava nada. E o que faria agora, que continuava sem parceiros. Teria de adiar mais ainda seus planos, graças a impaciência do professor. Se lembrava dele como alguém um pouco mais centrado. Não sabia se fora somente a bebida que o havia deixado no estado em que o viu hoje. E aquela história dele, puxa. Que coisa assombrosa, quase pediu para ele falar mais, cogitou sim em oferecer mais doses para ele e ouvir mais sobre aquilo. Daria um bom livro, ou no mínimo, um conto para uma dessas magazines pulp. Aquela moça parecia tão inocente no começo da história, incrível as coisas que ela fez. Parecia que, apesar de tudo o que o professor disse, ele escondia a versão real de algumas passagens. Ele notou que toda vez que a moça era mencionada, ele parecia mais controlado ao falar, como se ele mesmo se reprimisse de adimitir algo. Se não conhecesse o prefessor melhor, diria que ele mentiu sobre ela ser história. Mas afinal, ele relamente não o conhecia tão bem assim. Ele deve ser mesmo, como disse, de uma guria só. Mesmo que isso signifique estar só com uma por alguns instantes.

Caminhava pelo meio da rua sem medo. Os postes eram escassos, e a Lua cheia fazia um ótimo trabalho nessas horas. Olhou para cima e observou o satélite.

“Lua ‘CHEIA’. Hum.” – Há muitas eras que “cheia” já não tinha muito significado, com aquele buraco no canto inferior dela. Em noites como essa, o que um dia foi uma esfera prateada, agora era um objeto desfigurado. Um certo pesar se passava quando se relembrava desses fatos. Foi uma perda terrível para a Terra, e um grande esboço de tristeza ficara desenhado no céu.

“E também” – continuava pensando – “fiquei muito triste pelo urso.”
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Interlúdio
~
– Em uma floresta, saindo da cidade e seguindo cerca de alguns quilometros, mais ou menos, e depois seguindo ao leste após a formação rochosa da raposa… ou era a do macaco? Peraí, lembrei. Você segue em direção às montanhas e…
– Mas as montanhas ficam pro oeste!
– Hum… verdade. Então seguindo para as montanhas no oeste. Eu tava pensando vindo pelo outro lado da estrada. Então, nessa floresta.
– O quê tem ela?
– O quê? Ah sim, verdade. Imagine essa floresta. Você sabe como ela é, não é? Bem densa, grande, com os maiores topos chegando na altura do prédio comercial, lá do centro.
– Sim, eu conheço ela. Mas e aí?
– Então, lá no meio, no mais profundo da floresta, onde não há nenhuma pessoa, certo? Então, de repente, uma das mais velhas árvores começa a desabar, sem avisos. Começa a tombar, primeiro devagar e depois ganhando velocidade e no caminho de sua queda, leva algumas árvores menores junto com ela ao chão, certo?
– Unhum.
– Então. Com isso em mente eu tenho uma charada para você.
– Sim. Isso é idiota.
– Sim o quê?
– Sim, a estúpida árvore vai fazer barulho mesmo sem ninguém lá para ouvir. Sério, quantos anos você acha que já tem?
~
__________________________________________________________________________

~
– Obrigado. – disseram. O garçom serviu os pratos a cada um.
– Então, é como eu disse. Simplesmente sumiu, como se eu tivesse feito alguma coisa.
No restaurante, o murmúrio de centenas de mesas sobrevoava no ar. Mesmo estando um de frente para o outro na mesa, e falando claramente, ainda era necessário falar um tom mais alto para sobrepor sua conversa sobre os ruídos de fundo, vindo das centenas de outras conversas. Não se sabia por que, mas era típico destes ambientes lotados. O ruído total era muito mais alto que qualquer conversa individual. Talvez fosse a acústica do lugar, desenhada especificamente para potencializar cada nota verbal sem torná-la compreensível.

– Ha ha ha, eu entendo exatamente o que você quer dizer. Aconteceu algo parecido comigo algumas vezes, a última vez foi com uma dessas gurias de panfletagem.
– Nah, sério? E você conhecia ela por acaso?

Pelo teto de vidro, a luz prateada da Lua iluminava o ambiente, serenamente despercebida.

– Que nada, cara. Eu vinha caminhando pela calçada, e já de longe eu vi um pessoal mais a frente, em volta de um stand. Eu não lembro o que era que estava nos panfletos, mas tinha tipo umas placas também e eu já sabia o que era antes de chegar neles. E eu já tenho o costume de não aceitar panfletos e quando eu passei por ela eu recusei e disse algo como ‘Obrigado, mas eu tenho um trabalho’. O pior é que eu não lembro muito bem o porquê de eu ter dado essa resposta, se não me engano eles estavam anunciando uma agência de empregos. Sei que eu disse isso e a guria meio que me olhou com os olhos arregalados, como se eu tivesse falando do emprego dela. Como se eu a tivesse ofendido pessoalmente.
– Exatamente cara. Isso não é bizarro?
– Pois é.
– Qual o problema? Quer dizer, quantas vezes você passa por uma situação parecida com outro cara?
– Acontece com homens também. Mas aposto que se existisse uma pesquisa, nós veríamos uma tendência bem maior entre as mulheres.
– Olha, é bem provável. Mas como se faria uma pesquisa dessas? Digo, não é simples como pegar uma prancheta e sair perguntando a esmo pelas ruas, dizendo “Com licença, mas de uma escala de um a dez, quão ofendido(a) você fica quando eu faço -tal coisa- ?’. Além de ser inconveniente, é bem ineficiente.
– Fato. Mas deve existir um jeito de se comprovar isso. É quase um fenômeno social, alguém deveria ser capaz de comprovar isso.
– Vejamos…

Enquanto eles pensavam, seu silêncio era de imediato tomado pelo murmúrio. Em todo aquele mar sonoro, a ausência da conversa deles não era notada em nenhuma outra parte do ambiente. Se qualquer um tentasse prestar atenção na conversa da mesa vizinha, não entenderia nada também, visto ser impossível diferenciar palavras ditas, muito menos ter certeza da direção de onde vinham. Palavras eram lançadas no ar e rebatiam nas paredes e se perdiam no turbilhão.

Ao olhar para o resto do restaurante enquanto pensava, um estalo veio a sua mente. Havia uma maneira. Era meio arriscada, e talvez causasse algum agito, mas ele julgou que valeria a pena.

– Cara, eu acho que descobri uma maneira. Mas precisamos desviar a atenção de todos para nós.
– Como assim?
Ele explicou seu plano, e no rosto de seu colega, um sorriso de antecipação aparecia. Ele também notou, que na pior hipótese, eles sairiam sem resposta, mas com boas risadas.
– Ok, e como faremos isso?
– Observe. – Encheu seus pulmões e falou de modo que sua voz se sobrepusesse ao resto. – O problema era que ela era uma mulher!

Como se alguém girasse um botão de volume e apagasse o som das conversas, de repente todas as cabeças começaram a se virar em direção à mesa deles. Mulheres e seus maridos, amigos em roda, senhores e suas ‘acompanhantes. Todo mundo sabia o que tinham ouvido e ninguém ousava falar nada, o silêncio imperou no ar. Seu colega entrando no jogo respondeu:

– Como assim? – no mesmo tom em que se havia começado aquele teatro.
– O problema – continuou – é que “todas” as mulheres tomam tudo para o lado pessoal. – enfatizando bem, para todos ouvirem.

Quase que de imediato, se ouviu em uníssono no restaurante, em alto e bom som agudo, todas as mulheres respondendo levemente indignadas.

– Bem, eu não!
~
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Outro original NoAéreo. Não sei como isso fica em comparação com as outras coisas que já escrevi, já que meu impulso foi não abandonar o blog ao invés da habitual inspiração sem sentido. Bem, estaremos de volta dentro de alguns meses, talvez.

~ Dias. Pedro

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Comments
2 Responses to ““Um conto sob uma Lua despedaçada” ou “O que aconteceu com o urso?””
  1. Juno Sena disse:

    Cara! que foda, necessito de ler muito mais coisas nesse seu estilo!
    Spoiler(caso alguém leia primeiro os comentários) Você juntou o outro (o do guardanapo/taxi) conto com esse hehe
    e afinal “O QUE ACONTECEU COM O URSO?” !
    a o método de pesquisa no restaurante foi genial!
    parabéns man
    espero que não demore muito para o próximo…

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