Que rudeza a minha

Eu nunca me apresentei adequadamente. Oi, eu sou o Peu. Pedro. Peudro. Eu.

Um bobântico inveterado, um tanto avexado à esse respeito. Mas verdadeiro, no entanto. Um alienado geral, um sabão localizado. Ignoro muito, sei muito de pouco. E pouco de muito. Sabo muito, dizem.

Minha vida se vai com a velocidade dos tempos de outrora, dos tempos onde havia tempo para pensar. A pressa da pós-modernidade (seja lá o que isso signifique) é minha amiga-da-onça, companheira condicional, que me cospe na cara se peço tempo para pensar. Felizmente, na pressa, ela quase sempre erra. Tola. Esperasse talvez algo bom surgisse para os dois, mas me distrai. Me distraio. Tolo eu.

Eu descobri isso hoje, ao terminar de ler o célebre autor-defunto, Dr. Cubas. Muito ouvi falar deste ao longo dos anos, e como quase sempre ocorre com elogios vindos de outros, pensava pouco e errado sobre o tal. Descobri em sua história de morte, que a vida que viveu só foi possível até aquele momento. Dr. Cubas viveu nos últimos tempos onde era possível viver apenas uma vida por vez. De se delongar por tempos em apenas um assunto, se dedicar ao longo de anos em um objetivo, um por vez. Calmamente, pausadamente. Meu mundo não me permite o mesmo viver. Tanto melhor, eu posso dizer certos dias, pois o tédio me aborreceria mais do que já o faz.

Minto. Há sempre exceções, porém, aqui falo de mim. Os outros podem esperar sua vez ou fazer sua vez.

Minha lerdeza, no entanto, é de outros tempos. Talvez obtivesse mais sucesso na era dos filósofos, mas na era da engenharia e do publicitário, devo me cuidar. Me exercitar. Tirar proveito de mim mesmo. Eu sou o aluno que sempre lembra a resposta certa depois de entregar a prova com tentativas tortas. A inspiração, a ligação correta de fatos e idéias que ocorrem tarde, devo anotar. Pois precisarei delas na frente, e não terei o tempo de descobrir na hora. Devo lembrar. De quê? Como julgar qual é o mais importante a se lembrar? Melhor aprender, conhecimento não se esquece, é o que define o saber. Você sabe. Talvez eu só não esteja aprendendo ainda o que eu quero aprender.

Deixe-me falar sobre o quê eu acredito que ocorre dentro do meu crânio. Filosoficamente falando, pois a biologia não cabe aqui. Existe muita dúvida, muita curiosidade, muita ansiedade. O resultado pornográfico desse trio é muita preguiça. Filha bastarda do desespero, esta mãe de todas as invenções. Desespero não me têm, repudio e a escondo, como um esqueleto no armário. Preguiça me seduz e me mantêm no comforto da terra do Depois. Mesmo quando a curiosidade me faz querer saciar a dúvida, a preguiça tende a me ter. Mesmo quando a ansiedade, verdadeira responsável pelas decisões, urge pela vida da ansiedade, me levanto relutante de Depois para por o pé na água fria do Agora. Sou medroso. Pode ser necessário o incentivo da recompensa ou o empurrão da necessidade. E como um cão, depois de molhado quero mais é nadar. Mas como um cão, reluto e repuxo e me seguro até o fim, toda vez. Sou o cão de mim mesmo. Serei eu, eu-mesmo? Acredito que existam alguns eus em mim, e cada qual se veste para diferentes ocasiões. Diferentes balanços de emoções que me configuram. Mais ansiedade, menos curiosidade, e eu não levanto da cama. Mais recompensa e dúvida, e me ponho a pesquisar.

Pesquisa, li uma vez, é plagiar diversos autores e reconhecer de quem copiou as idéias. Não sei o autor para colocar na fonte.

Enquanto escrevo, pauso. Enquanto pauso, leio. Leio outras coisas. Dou um volta. Volto.

Nesse ano de 2014, no aniversário de São Paulo, Sampa, minha terra cinza, houve protestos contra a Copa. Que será esse ano. Os protestos ocorrem tarde, verdade. Mas pior seria não comunicar nosso desgosto. Engano, re-ocorreram tarde. Mas todos os provérbios e ditados devem valer de alguma verdade: “antes tarde do que nunca”, “os últimos serão os primeiros”, “quem espera sempre alcança”, “justiça tarda mas não falha”, mesmo sendo ceguinha.

Porém, existe um ceticismo dentro de mim, que aponta toda vez que a dona Justiça levanta a venda de seus olhos para contar o maço de dinheiro que recebe de um lado da balança; ou concessões ou coisa do tipo. Solta a espada da mão direita enquanto conta, que desce e quase acerta um espectador alheio. Aliviado de sua carga, esse lado se ergue e pelas leis da Justiça, quem tem o espírito mais leve é inocente. Não sabia que inexistência pesava; talvez seja como a piada do pum, invertida. Menino pergunta para mãe se peido pesa e descobre que tá na merda. O menino já sabia da resposta, mas precisa ter confirmação externa. Sua recusa em aceitar no que era óbvio só o fez arrastar bosta dentro das calças pela casa. Assim infiro, que na versão invertida da piada da Justiça, o lado sem grana mas cheio de gente, quase sempre já sabe a resposta antecipadamente. A matemática tá certa: 99% da população de um lado, pesa, pela conservação das coisas no universo, o mesmo que 1% das pessoas com toda a grana conjunta. Isso por que quem cria a Grana é a massa trabalhadora. Por algum motivo bizarro, toda essa grana sobe uma pirâmide e se concentra no topo. Um dos grandes paradoxos da atualidade, é o fato de o dinheiro possuir tanto peso, sendo que 90% de todo o dinheiro do mundo são apenas números em servidores de bancos centrais. Papel-moeda é pra quem compra pão em padaria. Barras de ouro é pra quem quer segurança. Dólar é pra quem quer ter status, Euro pra quem não sabe que porra ta acontecendo. E as outras moedas? Sei lá, pra quem quer comprar pão em outro idioma. O negócio é inflação, juros e cŕedito. Tudo em favor do débito. Alguém sempre tem de dever a alguém. Porém, como diz o ditado, ‘devemos, não negamos; pagamos quando pudermos’. Quem diz isso não sao apenas pessoas que recebem cartas de banco (até por que essas pessoas não tem a opção do ‘quando’); são países, empresas, multinacionais, mascotes de grife, bolsas e maquinários pesados. Esses sim, mexem com o verdadeiro Grana, o imaginário bancário, os números de verdadeiro valor nos verdadeiros bancos do mundo, os Bancos de Dados. A informação bancária armazenada vale mais que os próprios equipamentos de informática que mantêm tais dados vivos. O santuário de Grana não é imóvel, seu mundo vive em outro mundo. Um mundo que depende de energia elétrica. Quando o Sol resolver lançar pulsos eletromagnéticos e fritar as subestações de distribuição de energia do planeta, não importa quantos segundos o apagão durar, nesses momentos seremos verdadeiramente iguais: tão pobres quanto quisermos nos enxergar. Valor é um idéia que só existe quando há consenso. O papel-moeda só vale por que acreditamos que vale o que disseram que vale. Como sacos de sal já valeram no passado, e sacas de açúcar depois disso. Houve um tempo que com uma saca de açúcar, você poderia fazer a balança pender a seu favor. Acho que errei a analogia anterior. Talvez seja que a Justiça use a mão livre da espada para favorecer o lado que foi contratada a favorecer. Faz mais sentido do que a leveza do abono. Mas o valor só vem do consenso. E é mais fácil fazer crer desde cedo que tal valor é real, ao invés de fazer crer depois de adulto. Por isso os europeus sempre tiveram “vantagem” em cima de outras civilizações, pois achavam que eram extremamente inferiores por não entenderem o valor das coisas. as que diabos vale uma saco de moedas para quem faz seu próprio pão e caça seu próprio jantar e faz sua própria roupa? O conceito de ser uma pessoa melhor por possuir uma quantidade maior de coisas não é exatamente universal, é um modelo que prevaleceu. O que são tais coisas, depende da era ou do proprietário. O consenso geral é de que coisas significa dinheiro e objetos fabricados por alguém que tenha conceito de qualidade, outro assunto que depende de credibilidade. Parece que nossa sociedade realmente vive e revolve nas idéias de crenças. Afinal, crer é humano. Acreditamos em deuses nos céus até que os abandonamos, em parte, para crer na Grana nos bancos. Ou crermos em alguma outra coisa ou pessoa que um monte de gente diz que devemos acreditar. Consenso. Isso parece tão absurdo para você que lê quanto para mim que escrevo? …

Que rudeza a minha, te arrastei para minha mente sem querer. Como eu dizia, sou um bobântico, com uma mente mais rápida que minhas decisões, vários mundos dentro de um. Eu sou Peu, Pedro. Eu. Não tenho mais nada para dizer agora.

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