Formigas

Uma Crônica Sobre Algumas Dezenas de Patas

Baseado em fatos reais.

“- Droga, eles ainda estão nos seguindo.

– Me deixe pra trás. Sou eu que eles querem…

– Cala a boca! “Jamais abandone um companheiro!”, lembra? É o lema da colônia, da nossa rainha.

– Mas…

– Nada de “mas”. Eu ainda aguento carregar você.

– Mas… as suas pernas…

Ele riu de leve, com as forças que lhe sobravam.

– Bobagem. Foram apenas duas. Vamos, fique acordado.

O sol à pino já não era da preocupação de nenhum dos dois. O calor da pedra irradiando abaixo deles, era o de menos. O inimigo se aproximava.

– Argh! – gritou. – Um deles está aqui. Pela sua vida, ME DEIXE AQUI!

– NÃO!

O pequeno inimigo o agarrou pela perna vermelha já danificada, puxando-o. Ele tentava retardá-lo, até que os outros chegassem, e pudessem todos levar os dois para seu lado.

Era apenas um contra dois, mas o pequeno guerreiro acabava de entrar na luta, enquanto que seus inimigos, mesmo maiores, estavam em total desvantagem. Não em números, mas em condições de batalha.

Além de estar com duas pernas severamente machucadas, ainda tinha que carregar seu companheiro, que havia sido atacado primeiro. Nenhum dos dois se lembrava ao certo quando o primeiro ataque ocorreu, ou quantos eram naquela hora. Apenas sabia um deles, que ao acordar de novo, não sentia a maior parte de seu corpo e ao olhar para cima, viu que seu companheiro o carregava.

Algo como culpa passava por seus pensamentos, ao ver as pernas vermelhas do companheiro. Ele sabia que não podia se culpar, mas o fato de que agora sua vida dependia da dedicação do outro era demais para ele.

…………………………………………….

Nos momentos que se seguiram após o primeiro ataque, depois de afugentar os primeiros inimigos, ele somente sabia que devia retornar o mais cedo possível à colônia e avisar seus superiores.

Eles estavam retornando do local onde haviam levado deixado as larvas para pastar e também sabia que esse era o motivo do ataque: Saqueamento. Mas aquele era um novo local, mais longe que o antigo, e somente ele, seu companheiro e superiores deveriam saber.

Talvez tivesse sido apenas um dia de azar para eles.

…………………………………………..

– Fique acordado! FIQUE ACORDADO! – ele gritava entre carregá-lo e se desvencilhar dos outros dois pequenos que chegavam. – Droga!

Ele agora mal podia andar direito. Agora duas de suas pernas do lado direito não respondiam mais à sua vontade. Não conseguia se coordenar o bastante para evitar andar em círculos vez e outra, e mais e mais o desespero aumentava dentro dele.

Começaram a subir em cima dele. Puxavam-no e o seu companheiro em sentidos opostos, tentando separá-los. E agora mais chegavam. Parecia que era o fim, e que todos os inimigos vinham acabar com eles.

Mesmo sendo tão parecidos, algo tão pequeno quanto cor os separava, como um imenso penhasco impede um caminho de se realizar.

Não conseguia distinguir muito bem as ordens de ataque que gritavam, seus sentidos estavam muito avariados e não estava muito bem treinado em diferenciar o cheiro da comunicação deles da de seu próprio povo. Mas sabia que isso não era o importante agora. Pensou nas larvas, na colônia e na rainha. Seu companheiro já estava fora de si. Somente uma chance em mil os salvaria.

De repente escureceu. E tão rápido, voltou a luz. E de novo. Por alguns instantes isso aconteceu e no começo desorientou um pouco seus inimigos. Ele não sabia o quê era e nem podia parar pra pensar nisso. Tinha que aproveitar agora.

A confusão não durou muito e logo partiram contra os fugitivos. Já eram algumas dezenas agora e ele sabia que agora estava perdido, e esperou o seu fim, triste por não poder fazer mais pelo amigo e pela colônia. Mas nada aconteceu.

Quando percebeu, e olhou em volta, viu quase todos os pequenos inimigos mortos. Alguns se arrastavam com o quê sobrava de seus negros exoesqueletos. E de repente notou algo gigante logo mais à frente. Era algo realmente gigante, como uma coluna muito clara, ele não compreendia o quê era, mas conseguiu entender que fosse o quê fosse, os havia salvado.

Olhou para cima para ver de onde vinha e percebeu que a coluna se estendia até os céus. Nunca se soube de algo assim na colônia. Parecia algo das histórias de muitas gerações atrás. Mais tarde, depois de terem sido rastreados pelos companheiros e levados de volta à segurança da colônia, a história do grande objeto vindo dos céus correu por todos que mantinham suas antenas atentas. Eles tinham um guardião.

……………………………………………………

Hoje, eu me tornei uma “divindade formigana”. “

Esta foi uma crônica original No Aéreo.

Dias. Pedro.

Cuspa pensamentos.

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